“Escrevendo, divagando e apagando.
Domingo, 20 de maio de 2012, 03:42 a.m.
Eu tenho péssimos hábitos, eu não sou disciplinada em absolutamente nada que eu faço, nunca consegui estabelecer nenhum tipo de rotina, comer coisas saudáveis e tudo, sem exceções e sem exageros, tudo que eu planejo dá errado. Basta fazer uma lista, ordenar por prioridade, precisar muito, colocar o despertador pra tocar, fazer uma oração pedindo pra Deus pra dar certo que acaba tudo saindo de qualquer forma completamente diferente do que eu quero e imagino.
É por isso que eu ainda não dormi. Porque eu já dormi. Dormi na hora errada (quase tudo que eu faço é na hora errada) e agora estou sentada na sala, no escuro, pensando sobre a minha vida e escrevendo alguma coisa sem sentido pra tentar fazer com que as coisas façam sentido.
Eu sei que pra apreciar a felicidade é preciso sofrer um pouco (ou muito) e eu juro que adoro sofrer, mas é um saco como quanto tudo está indo bem, tudo começa a ir mal. Basta um piscar de olhos, uma semana, uma briga, um mês, umas palavras, um tombo, uma pessoa, pra fazer tudo ficar errado de novo.
Eu juro que nem estou reclamando da vida, nem sofrendo (as coisas estão indo razoavelmente bem por enquanto), mas esse é um daqueles momentos de reflexão e mimimi.
O tempo passa e eu continuo quebrando a cara porque continuo sem entender como as pessoas conseguem ser tão… pessoas. Não tem descrição, as pessoas sendo pessoas são o que há de pior no mundo. Eu não sei ser pessoa. Eu sei ser gente. E isso não tá com nada. Custa muito ser gente, custa um coração, uma alma, pra complementar o corpo que a gente ganha da vida. Nem todo mundo sabe ser gente.
Eu devia ser menos ingênua. Eu tenho vontade de vomitar quando penso nas coisas que as pessoas fazem. Odeio drama adolescente, odeio o carinha mentiroso que inventa história pra ficar com a menina bonita e depois sacaneia ela, odeio esse clichê de filme teen americano, odeio fazer parte disso porque é tudo tão pequeno e medíocre.
Eu não sei ser assim, eu sou muito mais que a menina bonita pra quem o fracassado precisa inventar uma história de amor pra conseguir o que quer. Eu sou muito mais que o meu facebook mostra. Foda-se o meu facebook. Eu sou muito mais uma foto bonita, mil e poucos amigos, indiretas em forma de status, polêmicas, indiretas, intrigas, seu relacionamento enrolado. Eu sou, todos os dias da minha vida, eu vivo, respiro, ajo, falo, vejo, sinto!
Eu não faço parte disso. Eu não quero estar na moda, eu já tentei e não me interesso por isso. Eu gosto de me vestir bem, da maneira que convém, mas isso de tendência me cansa. Eu nem gosto tanto de usar salto alto, eu prefiro meu tênis de skatista. E eu nem ando de skate. E nem quero. A moda que eu gosto já passou faz tempo.
Eu acho que nasci no tempo errado. E não é porque eu gosto de música antiga, sinceramente, eu nem me interesso tanto por música antiga, nem sinto a necessidade de procurar pra fazer um tipo que não sou eu; e eu juro que também gosto do meu tempo, da tecnologia, da música eletrônica, da balada, da independência da mulher, etc. Mas porque eu sinto que tudo isso não tem muito a ver comigo. Eu queria frequentar a Confeitaria Colombo, beber café na xícara e não no copo, escrever à mão e não no iPad, mandar cartas e não SMS ou email.
Eu não sei me explicar. Eu sou louca. Louca de verdade mesmo. Eu não suporto ser normal. Eu queria viver viajando por aí sem rumo. Eu queria um amor.
Todos os dias eu acordo suplicando por amor. Eu peço pra Deus, pra vida, pras pessoas, pro destino, pro acaso. Eu queria tanto ter um amor que virasse minha vida de cabeça pra baixo e que desse sentido à ela. Eu gosto de muita gente, amo alguns, mas aquele amor que é tão amor de doer eu nunca mais senti. Das últimas bocas que eu beijei, algumas me fizeram ter vontade de atravessar a rua com o sinal vermelho e ser atropelada por um ônibus de tão normais e medíocres e nada a ver comigo. Tem um cara que eu acho lindo, adoro de verdade, me faz suspirar de leve, e que eu traria pra minha casa e apresentaria pros meus pais e levaria pra festas de familia se pudesse, mas eu também não o amo. Eu queria que ele me fizesse amá-lo, porque ele poderia, mas isso não acontece. Vai me entender.
Bom, escrever não fez nada fazer sentido. Mas pelo menos me deu sono.”
(Mariana Saguias)